Nosso futuro é ancestral: a arte da convivência do Quilombo Mesquita integrada ao bioma Cerrado
Palavras-chave:
Práticas ancestrais, Territorialidade, Cosmologias afro-confluentes, Resiliência comunitária, Transição ecológica, Justiça socioambientalResumo
Aprender com os quilombolas e povos originários é condição essencial à sobrevivência humana diante da exploração desenfreada da terra, da água, do ar e dos seres vivos. Com seis dos nove limites planetários já ultrapassados, torna-se urgente substituir a lógica de acumulação de capital pelas dinâmicas que regem o sistema Terra. Este artigo tem como objetivo apresentar um panorama do Quilombo Mesquita, no bioma Cerrado, a partir de levantamentos, visitas in loco e entrevistas que abordam o imaginário, os modos de vida e os conhecimentos relacionados à gestão de água, energia e alimentos, sob a perspectiva de estudantes pesquisadores do Ensino de Jovens e Adultos em situação de rua da Escola Meninos e Meninas do Parque (EMMP). A análise da sustentabilidade da comunidade e de seu sistema produtivo baseou-se nos dez princípios da Agroecologia, na abordagem Nexus (água, energia e alimento) e nas metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. Os mecanismos de resistência e perenidade do Quilombo Mesquita estão ancorados nos laços comunitários fortes e na relação simbiótica com a terra. A abertura de possibilidades para pesquisa, troca de saberes e confluências entre quilombolas e estudantes em situação de rua proporcionou o desenvolvimento de habilidades como trabalho em equipe, cooperação, fortalecimento da autoestima e construção de relações sociais mais solidárias, resistentes, pacíficas e prazerosas. A visualização do imaginário contracolonial quilombola operando no mundo real agregou mudanças de perspectivas sobre a necessidade humana de cooperação, união, amizade e luta pelo direito ao acesso à terra.






