Do Êxodo ao Exitus: educação como direito e travessia ontológica em uma cosmopercepção yorùbá

Autores

  • Antônio da Silva Santos Junior SEEDF

DOI:

https://doi.org/10.66375/rcc.v13i3.2258

Palavras-chave:

Exitus; direito à educação; afrocentricidade; fenomenologia; oralitura yorùbá; travessia.

Resumo

Este artigo propõe o conceito de Exitus como categoria afrocentrada e fenomenológica que redefine o sentido de êxito escolar e reposiciona a educação como direito de travessia e existência. O estudo tem como corpus empírico a experiência pedagógica do projeto Quando as Palavras Criam o Mundo, desenvolvido na rede pública do Distrito Federal, e fundamenta-se em uma abordagem qualitativa, analítico-reflexiva e de orientação hermenêutica fenomenológica. A pesquisa articula observação participante, análise de produções textuais e registros avaliativos (ACA/CAEd), integrando-os a uma leitura teórica inspirada na oralitura yorùbá. A metodologia não apenas orienta a investigação, mas estrutura a própria forma de escrita do artigo, que adota uma lógica espiralar e performativa, em que o texto se constrói como travessia — gesto que encarna o conceito de Exitus e transforma a análise em experiência. Demonstra-se que as categorias modernas de sucesso e fracasso são insuficientes para compreender processos de aprendizagem que envolvem recomposição simbólica, ética e ontológica do sujeito negro — e, por extensão, de todo sujeito em busca de inteireza. Nessa perspectiva, o Exitus emerge como direito de existir em travessia: gesto de restituição do fazer, do ser e do saber, no qual aprender é atravessar e ensinar é restituir. Dialogando com autores como Fanon, Mbembe, Foucault, Bourdieu, Leda Maria Martins e Wande Abímbọ́lá, o artigo articula Filosofia, Direito e Educação como dimensões convergentes da reexistência. Conclui-se que, quando atravessada por práticas afrocentradas, a escola pública se torna território de criação e justiça viva.

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Publicado

2026-07-23